{"id":157865,"date":"2026-05-21T01:58:00","date_gmt":"2026-05-21T04:58:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tarauacanamidia.com.br\/?p=157865"},"modified":"2026-05-21T01:58:00","modified_gmt":"2026-05-21T04:58:00","slug":"relato-de-desembargadora-expoe-racismo-em-supermercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tarauacanamidia.com.br\/?p=157865","title":{"rendered":"Relato de desembargadora exp\u00f5e racismo em supermercado"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<p><strong>Magistrada do TRT-23 afirmou ter sido confundida com funcion\u00e1ria durante compras em Cuiab\u00e1 e transformou o epis\u00f3dio em den\u00fancia p\u00fablica sobre a perman\u00eancia do racismo estrutural no pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n<p>A desembargadora <strong>Adenir Alves da Silva Carruesco<\/strong>, do <strong>Tribunal Regional do Trabalho da 23\u00aa Regi\u00e3o (TRT-23)<\/strong>, relatou ter sido v\u00edtima de racismo estrutural ao ser confundida com uma funcion\u00e1ria de supermercado enquanto fazia compras em <strong>Cuiab\u00e1 (MT)<\/strong>, no \u00faltimo <strong>domingo (17)<\/strong>. O caso ganhou repercuss\u00e3o ap\u00f3s a magistrada publicar um relato nas redes sociais, no qual descreveu o epis\u00f3dio como reflexo de uma l\u00f3gica social que ainda associa pessoas negras a posi\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o, e n\u00e3o a espa\u00e7os de poder.<\/p>\n<p>Segundo o relato, a desembargadora caminhava pelo estabelecimento quando foi abordada por uma cliente, que passou a pedir informa\u00e7\u00f5es sobre produtos e localiza\u00e7\u00e3o de itens. Para a magistrada, o ponto central da situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 apenas na abordagem em si, mas no padr\u00e3o social que naturaliza a ideia de que uma mulher negra, fora do ambiente formal do cargo que ocupa, seja automaticamente percebida como algu\u00e9m que est\u00e1 ali para servir.<\/p>\n<p>Ao tornar p\u00fablico o caso, Adenir Carruesco afirmou que o epis\u00f3dio evidencia como o racismo estrutural segue operando no cotidiano, inclusive de forma velada. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, a percep\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de subalternidade revela uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que limita o reconhecimento da popula\u00e7\u00e3o negra em posi\u00e7\u00f5es de autoridade, lideran\u00e7a e prest\u00edgio institucional.<\/p>\n<p>O relato chamou aten\u00e7\u00e3o justamente porque envolve uma integrante do sistema de Justi\u00e7a. A for\u00e7a da den\u00fancia est\u00e1 no contraste entre a fun\u00e7\u00e3o exercida pela magistrada e a forma como ela disse ter sido lida socialmente dentro de um ambiente comum de consumo. Fora da formalidade do tribunal, a identidade profissional desaparece e o corpo negro passa a ser enquadrado por estere\u00f3tipos ainda profundamente enraizados.<\/p>\n<p>De acordo com a <strong>Pol\u00edcia Civil de Mato Grosso<\/strong>, n\u00e3o havia registro de boletim de ocorr\u00eancia sobre o epis\u00f3dio at\u00e9 a divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica do caso.<\/p>\n<p>A den\u00fancia amplia um debate que vai al\u00e9m do fato individual. O epis\u00f3dio recoloca em evid\u00eancia a discuss\u00e3o sobre <strong>racismo estrutural<\/strong>, conceito usado para descrever pr\u00e1ticas, percep\u00e7\u00f5es e padr\u00f5es que reproduzem desigualdades raciais mesmo sem uma agress\u00e3o expl\u00edcita ou uma ofensa verbal direta.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que a discrimina\u00e7\u00e3o pode aparecer em abordagens cotidianas, em suposi\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas e na dificuldade de reconhecer pessoas negras em espa\u00e7os de decis\u00e3o, comando e prest\u00edgio. Quando esse tipo de l\u00f3gica se repete, ela refor\u00e7a barreiras simb\u00f3licas e sociais que afetam oportunidades, respeito e pertencimento.<\/p>\n<p>Embora o caso tenha ocorrido em Mato Grosso, a repercuss\u00e3o tem forte conex\u00e3o com <strong>S\u00e3o Paulo<\/strong>, onde o debate sobre equidade racial tamb\u00e9m atravessa o Judici\u00e1rio, o mercado de trabalho, o com\u00e9rcio e os espa\u00e7os institucionais. Em uma metr\u00f3pole marcada por intensa circula\u00e7\u00e3o em supermercados, shoppings, reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, universidades e empresas, o tema dialoga diretamente com a experi\u00eancia cotidiana de milhares de paulistas.<\/p>\n<p>Para S\u00e3o Paulo, a discuss\u00e3o ganha relev\u00e2ncia porque envolve n\u00e3o apenas discrimina\u00e7\u00e3o individual, mas tamb\u00e9m <strong>protocolos de atendimento, pol\u00edticas de diversidade e resposta institucional<\/strong> em ambientes privados e p\u00fablicos. O caso tamb\u00e9m pressiona empresas e \u00f3rg\u00e3os da capital e da Regi\u00e3o Metropolitana a refor\u00e7arem treinamentos, canais de acolhimento e medidas de enfrentamento \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o racial.<\/p>\n<p><strong>Orienta\u00e7\u00f5es ao p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o racial, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 agir com rapidez e buscar meios formais de registro.<\/p>\n<p>\u2714\ufe0f <strong>Anote o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00f5es poss\u00edvel<\/strong> sobre o ocorrido, como data, hor\u00e1rio, local e identifica\u00e7\u00e3o de testemunhas<br \/>\u2714\ufe0f <strong>Guarde imagens, v\u00eddeos, mensagens ou comprovantes<\/strong> que possam ajudar na apura\u00e7\u00e3o<br \/>\u2714\ufe0f <strong>Pe\u00e7a apoio \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do estabelecimento<\/strong> e registre a reclama\u00e7\u00e3o por escrito, se poss\u00edvel<br \/>\u2714\ufe0f <strong>Procure a Pol\u00edcia Civil<\/strong> para formalizar a ocorr\u00eancia<br \/>\u2714\ufe0f <strong>Em S\u00e3o Paulo, a v\u00edtima pode buscar a DECRADI<\/strong>, delegacia especializada da Pol\u00edcia Civil voltada \u00e0 repress\u00e3o de crimes raciais e delitos de intoler\u00e2ncia<br \/>\u2714\ufe0f <strong>O Disque 100<\/strong> tamb\u00e9m recebe den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos em todo o pa\u00eds, com atendimento gratuito 24 horas<br \/>\u2714\ufe0f <strong>Defensoria P\u00fablica e Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/strong> tamb\u00e9m podem ser acionados para orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e acompanhamento do caso<\/p>\n<p>Casos como esse ajudam a mostrar que o enfrentamento ao racismo n\u00e3o depende apenas da puni\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios extremos, mas tamb\u00e9m da capacidade de a sociedade reconhecer mecanismos cotidianos de exclus\u00e3o. O debate sobre representa\u00e7\u00e3o, acesso a espa\u00e7os de poder e tratamento igualit\u00e1rio continua central para o avan\u00e7o institucional do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No ambiente urbano e econ\u00f4mico de S\u00e3o Paulo, esse tema afeta diretamente empresas, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, institui\u00e7\u00f5es de ensino e o pr\u00f3prio sistema de Justi\u00e7a, pois a credibilidade institucional tamb\u00e9m passa pela forma como a sociedade responde a pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias, inclusive quando elas aparecem de maneira sutil.<\/p>\n<p>O relato da desembargadora Adenir Carruesco transformou uma abordagem aparentemente comum em uma den\u00fancia p\u00fablica de forte impacto social. Ao expor como o racismo estrutural opera no cotidiano, o caso reacende uma discuss\u00e3o necess\u00e1ria sobre reconhecimento, dignidade e igualdade racial. Para o leitor, a principal li\u00e7\u00e3o \u00e9 objetiva: discrimina\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser naturalizada, e toda v\u00edtima tem o direito de denunciar, buscar apoio institucional e exigir responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Vinicius Moror\u00f3 \u2013 Jornalista At\u00edpico<\/strong><br \/><strong>Editor-Executivo-Regional<\/strong><br \/><strong>HostingPRESS Ag\u00eancia de Not\u00edcias de S\u00e3o Paulo<\/strong><br \/>Conte\u00fado distribu\u00eddo por nossa Central de Jornalismo<br \/>Reprodu\u00e7\u00e3o autorizada mediante cr\u00e9dito da fonte<br \/>Portal criado para conectar os leitores da regi\u00e3o ao melhor conte\u00fado<br \/>Somos l\u00edderes de audi\u00eancia local. Somos sociais.\u00a0Conecte-se conosco.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<section>  \t<img alt=\"Avatar photo\" src=\"https:\/\/hostingpress.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/cropped-Divilgacao-95x95.jpeg\"  height=\"95\" width=\"95\" decoding=\"async\">\t \t<\/p>\n<div>\n<p>Vinicius Moror\u00f3 &#8211; Jornalista At\u00edpico<\/p>\n<p>Editor-Executivo-Regional | Jornalista | Diretor Editorial    Editor-Executivo-Regional da HostingPress Ag\u00eancia de Not\u00edcias de S\u00e3o Paulo, com atua\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o editorial regional, articula\u00e7\u00e3o com ve\u00edculos parceiros e fortalecimento da distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado jornal\u00edstico no Estado de S\u00e3o Paulo.      Editor-chefe do Jornal Impacto Cotia, com foco em jornalismo investigativo, interesse p\u00fablico e an\u00e1lise cr\u00edtica de temas pol\u00edticos, sociais e institucionais.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Magistrada do TRT-23 afirmou ter sido confundida com funcion\u00e1ria durante compras em Cuiab\u00e1 e transformou o epis\u00f3dio em den\u00fancia p\u00fablica sobre a perman\u00eancia do racismo estrutural no pa\u00eds. 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